Ao final do dia de ontem, estive conversando com um grande amigo que acaba de voltar da Inglaterra. Quando nos encontramos, invariavelmente o papo rola horas; temos muita afinidade cultural pra destrinchar.
O papo começou no meu escritório, rolou por um café-com-pão-francês-e-manteiga lá pela Açukapê da Santos Dumont, depois voltamos ao escritório, e como o dia acabou, fomos embora. Ou melhor, começamos a ir embora por volta da 19h, com sol ainda incomodando os olhos. Aliás, detesto esse horário de verão (não tenho boteco...); quando penso que é cedo, é tarde!, e quando penso que é tarde, é cedo... uma aberração essa frescura do governo, que depois derrete os benefícios disso nos seus ares-condicionados brasilianos e mensalões...
Mas voltando à vaca-fria, eu e meu amigo chegamos ao cruzamento da Néo Martins com a Getúlio Vargas, e ali, “ameaçando” irmos embora, ele pro lado da Catedral onde estava seu carro e eu, pras bandas da Caixa Econômica, nos fincamos por uns minutos pra arrematar os assuntos.
E, como diria nessas horas meu amigo Eurico, “papo-vai papo-vem...”, e o assunto se estendeu de novo. Falamos de literatura, da Fusão FAFIPA-UEM em Paranavaí, das eternas dificuldades da advocacia (não podia faltar...), dos efedepês motoqueiros que passam pela gente com aqueles escapamentos barulhentos, denunciando a pobreza financeira deles (...escape velho perde o miolo silencioso...) em poder comprar um novo e aí ficam por aí ensurdecendo meus ouvidos de músico. Falamos das vivências de um brazuca legalizado na England e também dos ilegais...
E enquanto isso, vez em quando íamos sendo abordados ali no cruzamento por tipos pedintes das mais variadas castas; veio bêbado sujo educado, que vendo negada uma “moedinha” ficou grosseiro. E então meu amigo disse que quer que esses pobres morram, porque eles é ficam recebendo ajudas dos políticos corruptos e depois lhes dão seus votos mantendo-os no poder eternamente...
Veio maluco, com olhos vermelhos de vampiro, com copo plástico com àgua numa mão e um pão amassetado na outra, que depois de pedir uma “moedinha” e receber a negativa, saiu BRABO e jogou tudo ali no chão mesmo, apesar de encostado num cesto de lixo, estourando o copo e saiu resmungando... Veio uma mocinha perguntar a hora, e uma rapazinho querendo saber onde era o Car Wash... veio um senhor forasteiro procurando caixa eletrônico da Caixa...
Já eram mais de 11 horas quando chegou o gari educado e virou o cesto de lixo, recolhendo tudo... Falei-lhe do sujeito do copo d'água e ele riu bastante... mas não parou; continuou seu trabalho.

Enfim, pelo que contei, enquanto conversávamos, nos abordaram no mínimo oito ou dez pedintes... À exceção de um rapaz bem arrumado que segundo senti, pediu por pedir, com cara de vaca-na-horta, os demais TODOS ESTAVAM BÊBADOS, movidos por um ESPÍRITO HÍBRIDO... DE ANJO e PORCO; chegavam mansinho, falavam quase inaudível, e depois, se vendo negados, saíam RONCANDO... E meu amigo os olhava, e quase perdia as estribeiras, dizendo que na Inglaterra todos querem que pedintes morram... Eu o contive por diversas vezes...
Enfim, é opor essas e por outras que tenho decidido (lógico que meu amigo se afina comigo...) não dar esmolas a ninguém pelas ruas. Meus adjutórios os dou – e quando os tenho – ao Albergue Marilac, aqui em Maringá, uma instituição séria, que acompanho desde que aqui cheguei em 1984.
NÃO DOU ESMOLAS MESMO!!! E AINDA RECOMENDO QUE NÃO SE DÊ!
DAR ESMOLAS NA RUA NÃO RESOLVE NADA!, É UMA ATITUDE FALSA, DE DUPLA PSEUDO-AJUDA: quem dá sempre o faz pensando dubiamente; que está sendo enganado, mas que faz o que a consciência cristã manda, como se isso garantisse um lotezinho no Céu... E quem recebe sempre acha que foi muito pouco, que o doador foi miserável, e aí o recomenda para o Inferno... Pobre do coisa-ruim, que nada tem a ver com isso!
POR TUDO ISSO NÃO DOU ESMOLAS NAS RUAS MESMO!!!
Sou RABUGENTO sim!... e com muito prazer!